Eu nasci há 30 anos e...

                                              


               

Vi o Brasil conquistar o pentacampeonato mundial e, anos depois, vi o país inteiro mergulhar em um silêncio difícil de esquecer depois do 7 a 1 contra a Alemanha. Vi aquele som inesquecível da internet discada anunciar que alguém tinha entrado na rede. Vi os modems conectarem pessoas, os CDs substituírem as fitas cassete, os DVDs tomarem o lugar dos CDs e, pouco tempo depois, os pen drives engolirem tudo isso.
        Vi o surgimento dos serviços de streaming decretar o fim das locadoras e levar embora um dos hábitos mais simples e nostálgicos da minha infância: ir à locadora em uma sexta-feira à tarde, escolher um DVD e passar a noite assistindo a filmes com a família.                                                                                  Vi os primeiros smartphones aparecerem e, de repente, o mundo inteiro passou a caber na palma da mão. Vi o dinheiro deixar de ser apenas papel e virar um toque na tela com a chegada do PIX. Vi programas que marcaram gerações chegarem ao fim, como a TV Globinho. Vi a Rainha Elizabeth II se despedir, depois de décadas sendo um dos rostos mais reconhecidos do mundo. 

        Em pouco mais de trinta anos, vi o mundo acelerar em uma velocidade impressionante. O que ontem parecia ficção científica virou rotina. O impossível se tornou comum. O futuro chegou sem pedir licença.   E, às vezes, paro para pensar que talvez a maior mudança de todas não tenha sido a tecnologia, mas a velocidade com que aprendemos a dizer adeus ao que parecia que duraria para sempre.


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